O filósofo alemão Friedrich Nietzsche disse certa vez que "Temos a arte para não morrer da verdade." O poeta brasileiro Ferreira Gullar disse que temos a arte porquê "só a vida não basta." No nosso imaginário popular existem muitos personagens famosos que ao longo de décadas têm encantado gerações. Um gosto que passa de pai pra filho, de filho pra neto, do neto pro bisneto...
Quem nunca quis ser um super herói? Ter superpoderes, fazer justiça, ou simplesmente conseguir proezas que a nossa limitação não permite? Acredito que todos nós. Pois se para nós, meros mortais, a física, a gravidade não nos permite voar, ficar invisível ou mesmo criar cenários/mundos num toque de mágica, para eles não há essas limitações.
Robert Howard criou "Conan, o bárbaro" no começo do século XX. Suas aventuras eram narradas inicialmente em contos, uma literatura que mesclava fantasia e lutas épicas. Howard morreu em 1.936. Mas anos depois, a Marvel comics conseguiu os direitos sobre o personagem e o consagrou para sempre nos quadrinhos. O homem foi. Mas sua criação ficou. Ainda hoje podemos ler e nos deliciar com as batalhas extraordinárias do cimério na fictícia era hiboriana, lutando contra monstros, feiticeiros, resgatando princesas e conquistando civilizações! Talvez nem o seu próprio autor imaginava que ele teria uma vida tão longa.
Seja Alice visitando o país das Maravilhas e se impressionando com o que viu lá, ou Pedrinho passeando no sítio do Pica -Pau Amarelo, Harry Potter na sua escola de bruxos, Superman sobrevoando Metrópolis ou Batman detendo os criminosos de Gotham City, esses universos fantásticos da ficção exercem fascínio sobre nós, justamente por nos fazerem sonhar com mundos melhores ou realidades alternativas.
Mas...e os personagens, existem? Se considerarmos a existência no sentido literal, concreto do termo, a resposta é óbvia: não.
Não há um país das maravilhas, o sítio do Pica -Pau Amarelo ou Metrópolis, Gotham City. Não existem heróis com superpoderes (ou sem) protegendo os fracos e oprimidos. Existe sim, a Cracolândia, o Monte Everest, o triângulo das bermudas ou Brasília que possuem igualmente o poder de nos surpreender. Mas sem o "glamour" dos mundos fictícios povoados por personagens fabulosos e fascinantes.
Mas se considerarmos que algo ou alguém vive toda vez que é lembrado, mencionado ou mantido em constante movimento (como os personagens de HQs que têm suas séries de revistas continuadas por anos, aparecem em filmes e possuem uma ampla linha de produtos e marketing), então sim, podemos dizer que os personagens existem!
Eles não existem de forma concreta, numa existência palpável de carne e osso com uma vida de curta duração, mas existem em nossos corações, no desejo que temos de voar, ficar invisível ou fazer mágica. Existem no imaginário popular, no mundo da ficção e são "convocados" toda vez que alguém os lê, assiste ou fala deles. Sim, Papai Noel pode não descer na nossa chaminé na noite de Natal para nos presentear, mas ele vive toda vez que é lembrado e celebrado através dos olhos puros de uma criança.
Obrigada, você é muito talentoso.
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