sábado, 4 de abril de 2026

Abismo geracional

Sou um jovem de alma antiga. Se é que ainda posso ser considerado jovem, pois em breve completarei 30 anos. Mas isso é tema para outro texto. Não vou discorrer sobre o que é juventude ou não. Alguns dizem que seja um estado de espírito, outros que é aparentar-se bem, não demonstrando a idade que realmente possui: "Como você está jovem! Nem parece que têm tantos e tantos anos!" Considerarei a concepção da OMS, de que todo indivíduo entre os 15 e 29 anos é jovem.

Eu tive a minha infância nos 2000. A última década normal da humanidade! Ninguém podia imaginar que a tecnologia que já estava sendo desenvolvida naquela época iria crescer tanto nas décadas seguintes. Podíamos até suspeitar, mas não afirmar...

Eu peguei a época da TV analógica, do orelhão, telefone fixo, celular "tijolão", TVs de tubo, Lan house, Orkut, mas ainda das brincadeiras de rua e cartas. Quando eu comecei a estudar o Brasil ganhava o penta da copa do mundo, quando concluí o ensino médio, tomávamos 7x1! Em 2004, jogávamos tazos no recreio, falávamos sobre os desenhos que víamos na TV (que naquele tempo tinha uma excelente programação infantil), já em 2.014, a gente mexia no smartphone durante a aula, criando grupos de trolagem e até compartilhando memes ou vídeos/fotos nada recomendáveis para menores de 18...

Tudo isso em um decurso de tempo realmente pequeno! Quem nasceu nos anos 90 do século XX, seja no começo ou final dessa década, presenciou tudo isso. É uma mudança esperada, sem dúvidas. Mas que não deixa de ser surpreendente. 

Enquanto o mundo enfrentava a gripe aviária, Bush invadia o Iraque, o Papa João Paulo II morria, Lula era eleito (e reeleito) presidente, Zidane dava uma cabeçada no jogador italiano, Felipe Dylon cantava a musa do Verão e franquias de sucesso como Harry Potter e Piratas do Caribe eram lançadas, bem, nesses doces anos da minha infância é que nasciam os que hoje não me descem goela abaixo. Sim, a geração Z, que embora não seja de todo insuportável é no mínimo irritante, sem conteúdo, fútil e problemática.

Ainda que tenham crescido espertas para muitas coisas (como obviamente a tecnologia que estava evoluindo nesses anos), do ponto de vista comportamental, deixam muito a desejar. São mimados, irresponsáveis, não gostam de ler, possuem gostos musicais duvidosos (para não dizer ruins), cultura escassa, amam tatuagens, seguem influencers nas redes e não desgrudam do celular. Preciso dizer algo mais?

A cada ano que passa vejo que não possuo nada em comum com eles. A não ser a nacionalidade e o fato de pertencer a raça humana. Não consigo interagir com tais criaturas, e com exceção de uma outra pessoa dessa faixa etária que demostra ir além da sua idade possuindo conteúdo, eu não tenho muitos amigos dessa geração.

Como já disse, tenho a alma antiga. Sou caseiro, não curto festas, aglomerações e bagunça. Eles amam! Gosto de ler, ouvir música de qualidade, ver bons filmes, pesquisar temas que me interessam...e amo coisas antigas, vintage. Uma alma do passado presa na ultra modernidade...

Quando entra alguém no meu trabalho de 25 anos ou mais, eu fico feliz, porquê geralmente há mais chance de eu criar um vínculo com essa pessoa do que com um pirralho de 17, 18. Claro, novamente digo, há as exceções. Nem todo velho é sábio e nem todo jovem é imaturo. Mas quase sempre o jovem é realmente imaturo, mesmo que o velho também o seja. Aí temos dois problemas: o jovem sendo jovem e o velho querendo parecer jovem (ou agindo como tal, quer dizer, sendo estúpido).

Não sei o que aconteceu que o mundo mudou tanto. Seja o que for, eu não consegui acompanhar seu ritmo. Talvez eu esteja ficando velho e ranzinza. Ou talvez essa geração realmente seja um caso sério. Caso perdido? Não, não digo isso. Eles têm conserto! Mas só depende deles.

Eu não consigo me conectar com essa geração. Me sinto um sobrevivente de um mundo perdido tentando se adaptar a uma nova civilização. Ou um alien na terra...É como se entre eu e eles houvesse um abismo. Sim, um abismo!
Não um rochedo, um precipício físico se interpondo entre nós, mas sim algo mais subjetivo...Um abismo geracional.

Nenhum comentário:

Postar um comentário