quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Diretrizes



Às vezes, sinto uma grande repulsa de mim mesmo. Qual é a vantagem que possuo em ser racional e supostamente dirigir minha vida? Se vejo que nada mais sou do que escravo das minhas ações, das más decisões que tomo por impulso, teimosia ou uma vil obsessão? No intento fracassado de provar algo a alguém (ou a mim próprio), percorro caminhos escabrosos que a razão me diria serem ruins se estivesse avaliando tudo sob a ótica de um espectador. Na ânsia de querer assumir o controle de tudo, perco-me, e tentando me encontrar, desapareço.

Que direito é esse que tenho de dizer o que é certo ou errado, se nada sei de concreto? Muitas vezes sigo o meu coração, e enveredando por ele, caio em abismos colossais.

Se eu tão somente soubesse o que quero, ou quisesse tão somente aquilo que sei...mas quero tudo e ao mesmo tempo nada, anseio a glória e desfruto da nulidade. Ter meu nome entre os grandes ou não ter, que diferença fará? Acaso o meu legado será menor se não o tiver? O que restará depois que não restar mais nada de mim?

Como abomino o meu ser! Falho, imperfeito, miseravelmente consciente! Sim, consciente! Sou um monstro entre os humanos, pois consigo ver todos os defeitos deles e reconhecê-los em mim. Não sou puro, não sou bom, não sou altruísta!! Onde está o meu heroísmo quando me escondo? Onde está minha força quando vacilo, e trêmulo deixo a espada cair?

Ah, vivente! Se soubesses o que és na verdade! Não te exaltarias tanto! O chão que tu pisas será tua morada. E o que tanto te ufanas, amanhã será olvido, pó e nada.

Porquê eu insisto em decidir alguma coisa? Só para sofrer sozinho o peso das minhas más decisões? Não seria melhor que decidissem por mim, para que assim eu pudesse culpá-los para sempre?  

De que me serve escolher, se sempre escolho o pior? Por que persisto em querer, se só quero o que me destrói? Porquê aprecio a dor que tanto me corrói? Porquê vivo perigosamente, flerto com o fim, que sobre mim um dia virá, indiferentemente? 

Não sei o que quero, e não desejo saber! Mas porque eu tanto protesto, se nada me oprime, mas tudo sufoca o meu ser?