Tudo está contra nós. Lutamos uma guerra perdida. Queremos o impossível, sonhamos com o que não existe. Avançamos alegres na nossa marcha rumo ao nada. Corremos contra o tempo, caminhamos e cada passo que damos pode ser o último.
Nossas células morrem pouco a pouco, nosso corpo enfraquece, debilita-se, a mente também. O tédio nos corrói. O pensamento nos enfada, viver dói, existir cansa. Nosso ser quer se libertar, não quer mais sentir, ter vontades que nunca se saciam, necessidades que nunca se satisfazem, desejos que não são alcançados, dores que perturbam, problemas que nunca acabam e dores que sempre se renovam. Tudo isto tira-nos a paz!
Paz é o que queremos e é tudo o que nesse mundo não podemos ter. Nos desesperamos ao ver que não temos saída, estamos presos neste corpo, reféns da vida, condenados a viver. A vida é uma prisão sem grade, mas uma prisão. Desejamos a liberdade, mas não nos atrevemos a buscá-la. Podemos sair quando quisermos, mas nos falta coragem para tanto.
Porquê ainda estamos aqui? Porquê continuamos afinal? Não sabemos, esta é uma pergunta que não podemos responder. A centelha de vida que nos move é algo fácil de nos livrarmos mas que por alguma razão preferimos manter. A vida é um milagre e um horror, uma benção e uma maldição, uma dádiva e um fardo, dependendo da maneira que a experimentamos.
Sonhamos com o fim. Esperamos o momento em que tudo terminará, quando não teremos mais lutas, dores, necessidades, angústias, aflições, doenças, problemas, preocupações, quando nada voltará a nos chatear, quando não abriremos mais os olhos, o dia em que seremos livres, o dia em que tudo acabará.