sábado, 4 de abril de 2020

Ressurgimento

Às vezes se faz necessário
surtar para não enlouquecer.
Muitas das vezes é preciso tomar o caminho contrário, só pra sobreviver.

Pois quem é o dono da verdade,
senão o excelso criador?
Nessa vida a ninguém cabe saber nada, apenas da tristeza, a saudade e o amor.

Na alegria triste de um escravo,
prosseguimos enfim.
Aguardando a verdadeira liberdade,
deste mundo malvado, da dor e o pecado,
que de fato só acaba com a morte,
desventurada e boa sorte, simples assim!

Dia após dia, entre gritos e urros,
gemidos e murros,
se faz mais forte o nosso coração.
Na dureza da vida, já não se pode imperar o medo, apenas a impecável razão.

E assim vamos, esperando tudo e nada.
Que explodam novas bombas de Hiroshima,
ou se dê um flagra na própria mulher deitada com o melhor amigo pelada,
ou simplesmente se abaixem os impostos,
CPMF, e sejam presos todos esses anjos tortos,
que de terno e gravata fodem toda uma nação.

E assim vamos nós, com ais e dós,
matando animais e índios,
destruindo todos seus sonhos,
desmatando florestas, poluindo rios, pecando contra Deus!
Até que tudo termine, mas de novo começe...
com a fênix negra da maldade ressurgindo no coração dos filhos meus e seus!

Esboço

Essa dor que não me mata,
mas corrói, que tortura sem cessar,
voraz e constantemente, indescritível é,
descrevê-la até posso tentar,
mas de conseguir não ponho fé.

Luto eterno pela morte de ninguém,
auto-piedade, sarcasmo e desdém,
loucura sã, de quem nada melhor a fazer tem, senão reclamar do que não conseguiu,
e o que conseguiu também.

Dor que dilacera a alma,
sem fazer sentir-se, ou abalar a calma.
Horror do qual não se ouve grito,
melancolia, cujo maior terror, sem máximas,
é não ter para se verter poçosas lágrimas,
quisera eu poder dizer, eu minto, ou pior, omito!

Fisgada terrível, a sangrar o ensandecido ser.
Contudo, sem notar um pouco de bem fazer.
Esta é a dor que sinto, eis que a pinto,
sem menos nem mais
de meu íntimo, a fazer em meu pobre recinto.
Dores tais, a sofrer passaram muitos, pressinto,
e aqui findo,
crendo em ti Senhor,
sabes que teu amor me é bem-vindo!

Hoje

Hoje não quero, não espero
palavras boas ou bonitas.
Que eu não ouça conselhos
de pessoas ainda mais perdidas,
querendo ter em mim espelhos
que reflitam imagens mais feias
que as de suas próprias vidas!

Quero me embriagar no vinho,
respirar esse ópio
que a mim persegue,
em minha tristeza encontrar um caminho,
como um bandido foge da polícia que o segue.
Noite e dia, comer, para quem sabe,
vomitar toda essa melancolia
que de nada vale, nem pra chorar serve!

Que eu escute minhas músicas tristes,
em silêncio permaneça,
lamentando minhas muitas dores,
pra que tudo isso eu esqueça,
cague a minha alma seus temores, como o pássaro defeca alpistes!

Sim, que hoje nada mais me aborreça, me enfastie ou perturbe,
pois quero ficar assim,
no direito de chorar por mim,
por minhas dores e desamores,
somente hoje, quero e peço,
deixai-me quieto, pensativo e parado,
respeitai, não impeçais o meu fado!

Sucessão

É a sucessão dos dias, meu maior sofrimento.
O virar formal das semanas,
no calendário habitual,
tão repetitivo e normal,
meu triste maior tormento.

Por que sofrer com aquilo
que alegrar a qualquer um deveria?
Talvez, sem razões ou porquês,
das circunstâncias se vê a mercê,
da sorte uma vítima,
quem nunca assim se sentiu um dia, ou falar pode, que se não,
jamais ficará, sentir-se ou sentiria?

Esse estado, oscilante do mal ao desgraçado, consome as forças lentamente.
E o mesmo assim segue, débil prossegue,
com o corpo lasso e o espírito prostrado!

Adiante, vamos amigos!
O mundo não pára,
e parar irá jamais.
Do espeto cai-se à brasa,
o osso escapa ao cão
e dorme com os chacais.

Um dia é da caça, outro caçador,
às vezes se é mais caça,
mais presa que predador.
Sem problemas, a esperança verde
suporta todo esse terror.

Há pra cada crime fiança,
pros pecados, perdão.
Todo final têm seu começo,
as crianças, adultos serão.
Toda dor têm seu fim,
na estação certa floresce o jardim.

Por que então temer os dias,
se todo ano têm o seu fim?
Como não querer os dias,
se estes mesmos dias,
consomem a mim?

quinta-feira, 21 de novembro de 2019

Cura-me

Cura Senhor Jesus as minhas chagas!
Limpa ó Senhor a minha alma
de todos os ressentimentos, medos e mágoas,
sara também o corpo, como fizeste com os dez leprosos,
deixando-me são, com tua paz que traz a calma.

Ó Deus dá-me força para te servir.
Transforma esta árvore seca
em planta frutífera, com belos frutos, tronco e raiz.
Para que todos vejam, do mais velho à moça, o teu poder,
para que saibam os brutos
o quão bom foste à esse jovem infeliz!

Sem ti Senhor nada somos,
nada podemos, nada sabemos.
Salva-me com teu amor,
a mim, pecador vil e pequeno!

Que o teu sangue Jesus
reanime essas veias mortas,
e nossas casas protegidas sejam
do telhados às portas, pela luz da tua divina cruz!
Faze ó Senhor, isto te peço, com teu sagrado perfume
renascer das trevas este pobre homem pecador,
mais uma vez te peço, cura-me!

quarta-feira, 20 de novembro de 2019

Yin e Yang

Tudo é mais claro depois da escuridão.
Após a guerra vem a paz,
a liberdade sucede a escravidão,
depois da queda, a ascensão.

As trevas da noite escondem a lua,
o açoite faz doer a pele nua,
o brilho do sol ofusca a vista,
a perícia do assassino oculta a pista.

Sem dor não se conhece alívio,
com amor se tem bom convívio,
sem lei não há crime,
com terror uma ditadura se imprime.

No fogo queimam-se os restos,
as cinzas dissolvem o que sobra.
Na batalha surgem os valentes,
a injustiça gera manifestos,
com esforço conclui-se a obra.

Tudo é melhor depois da dor!
Sem a doença não há cura,
sem ódio não se conhece amor!
Só há beleza se já houve podridão,
tudo é mais claro depois da escuridão.

Suicídio

Cortar os pulsos ou a garganta,
se enforcar numa árvore,
sangrar no mármore,
só por prazer, ou por uma causa santa.

Em lágrimas escrever
no último ato de vida,
um bilhete de despedida.
Mesmo esperando que aceito não vá ser,
explicar o quê e o porquê da fatal investida.

Contrariar todas as normas,
dogmas, formas,
pra sentir alívio.
Se é certo ou errado assim proceder, só a Deus cabe saber,
pois é ele que tem anotado os nomes no livro da vida, o livro.

Preparar o próprio funeral,
por saber o dia da morte.
Uma sorte sem igual não há,
só pra quem nisso é consorte.

Sangrar para não mais sangrar,
sofrer para não mais sofrer,
chorar pra não mais doer,
se matar pra não mais morrer.
Sim, eis o que penso
desta estranha forma de homicídio, o bom e velho suicídio!