sexta-feira, 10 de abril de 2020

Setembro

Águas caindo,
tempo frio.
Sentimentos indo e vindo
fluindo como um rio.

Tempo parado,
bom de nada fazer.
Um silêncio tão bom,
tudo calado,
folhas ao vento a se mexer...

É um dia triste
ou talvez triste esteja eu!
Pois sinto melancólica
a melodia da chuva
que com suas gotas insistem
em caírem fortes no telhado,
como ataques de um tropel!

É assim que enfim penso na morte,
a inimiga (amiga) do homem...
Por que hei de ter eu medo de tão conveniente sorte?
Estando eu ciente que eu sei
que só me assusta o nome,
que soa forte...

Mas saibam que nada há o que temer,
pois pior do que morrer,
é voltar sem jamais ter ido,
é perder sem ter jogado,
é morrer sem ter vivido!

quinta-feira, 9 de abril de 2020

Entardecer

Caem os últimos raios de sol sobre as colinas,
expiram as derradeiras frestas de luz nas mais distantes campinas.

Retorna o trabalhador de sua jornada, carrega nos ombros sua ferramenta.
Com um semblante cansado,
o corpo suado
e empoeirada vestimenta.

Surge a noite radiante!
Já se encontra em casa o pastor,
suas ovelhas bem protegidas,
recebe ele agora dos filhos abraços,
da sua mulher um beijo
irradiante e cheio de vida.

Madrugada adentro, a escuridão cai...
um mendigo dorme ao relento,
todos os seres noturnos fazem seus trabalhos, e não demora a noite se vai...

Mais um dia surge,
a esperança novamente ressurge,
entre as matas e usinas,
montes e colinas,
bosques e ruas citadinas.
Desperta o infeliz de sua agonia
ao primeiro raio de sol,
já se é um novo dia...

quarta-feira, 8 de abril de 2020

Entreatos

Temos uma vida inteira pra viver
e pouco tempo pra sonhar.
O que vai ser de mim e de você
quando tudo acabar?

Não me venha com promessas
muito menos ameaças.
Deixe-me ir pois tenho pressa,
não posso ficar aqui parado
enquanto tudo passa.

Hoje sou dor,
amanhã serei saudade.
Me desculpe por fazer isso,
sei que é feio largar o prato pela metade!

Não pretendo ser um infrator,
só quero exercer o meu direito
de ser humano, 
errar e não ser perfeito.

Sou o que sou
ou aquilo que fizeram de mim.
Há muita coisa em jogo,
não é tão simples assim.

Você vê tudo do seu jeito
usando idéias pré-fabricadas.
Eu não dividido as coisas em um conceito,
se a realidade me mostra
fatos concretos e verdades censuradas.

Não espere de mim
mais do que eu posso dar.
Somos iguais mas diferentes,
nem sempre vamos concordar.

Quero seguir o meu caminho,
preciso me arriscar sozinho!
O que não sei irei saber,
com o tempo vou aprender.
Entre o primeiro ato e a última cena,
quando tudo terminar
terá valido a pena?

terça-feira, 7 de abril de 2020

Infelicidade

Contemplo a vida como um sonho
ou um pesadelo de quem ainda não acordou.
Desesperado, as mãos nos cabelos ponho, sou uma folha que pra longe o vento levou.

As esperanças estão todas perdidas, os sonhos não mais existem.
Não sou um gato, tenho uma, não sete vidas,
trago no corpo e na mente
não uma somente, mas muitas feridas.

Já não sei o que quero, o que quero já não sei.
Sigo à procura do paraíso,
do meu verdadeiro sorriso
pondo minha fé no grande rei.

Nossos dias são curtos, passam rápido,
são vividos às vezes fácil,
outra hora com sustos,
somos poeira e nem sempre nos damos conta,
fazemos o que dá na telha,
pra onde o nariz aponta.

Salva-me Deus, ressuscita-me
com todos os sonhos meus!
Ajuda-me Senhor com teu grande amor,
pra que evite um crime, um homicídio,
pra que não suje as minhas mãos
com (oh, que horror!) o meu próprio sangue, não cometa suicídio!

Mais dia, menos dia

Grito, mas ninguém parece me ouvir. Sou corroído, mas ninguém pra intervir.
Não quero mais sofrer,
mas não posso nem desabafar,
pois ninguém vai compreender.

Os dias passam, maldição,
mas nada muda.
Foi-se embora a esperança,
com razão, deixaram o preso,
engoliram a chave,
jogaram fora a fiança!

Mais dia menos dia,
acabo com essa brincadeira de mau gosto,
me enfado, enfezo e faço logo uma besteira.
Já sei o que vão dizer,
mas não quero nem saber,
todos esses malditos julgam,
mas nem um sequer
procura entender!

Sim, mais dia menos dia
eu viro macho, crio coragem
e boto fim nessa sacanagem!
Resolvo todos os meus problemas,
saio de cena, acabo com esse diacho,
dane-se o que vão pensar,
eu só quero poder me matar!

segunda-feira, 6 de abril de 2020

A encalhada

A encalhada quer arrumar um marido!
Pobrezinha, quer porque quer namorar, até deu pra fazer buscas sem sentido.

Ela enfrenta agora um problema,
se envolveu com homem casado,
lá em casa este é o único assunto,
seu dilema rouba toda a cena.

Não sabia ela,
que mexendo no Lovoo
iria se estrepar
como se estrepa na armadilha o tatu?
Sim, ela sabia, mesmo assim insistiu,
uma desventura de amor estava querendo.

Que fim teve a história da encalhada?
Caro leitor, se eu não sei,
como vai você ficar sabendo?
Sei que esta jovem,
muito sentimental é,
seu sonho maior é ter um marido
que a chame de mulher.

Seja como for,
com ou sem amor,
tranquila ou desesperada,
não ter mais
o triste status de encalhada.

Bala

Bala, que atravessa o peito,
fura a boca,
rasga a língua,
quebra os dentes.
Vaga à míngua,
com sons estridentes,
acha no corpo o seu leito.

Recarregada ou única,
certeira, errada, perdida.
Aprendeu a voar crua,
só em seu caminho,
trazendo pra muitos
sentença de morte ou vida.

Não ama nem odeia,
o corpo humano é sua cama,
seu leite é qualquer veia.
Como tudo deixa rastro,
poças de sangue incendeia.
Sua missão é maldita,
pro atirador bendita.

Arrasta pro caixão,
IML ou mesmo vala.
Ligeira, insana,
odiada, profana,
simplesmente bala.