Antigamente eu tinha medo. Mas hoje tanto faz.
Colori meu castelo de sombras, por que as cores eram todas iguais.
Guardei em segredo o desejo, imaginei o beijo,
toquei o que não vi, senti o que não toquei.
A casa está vazia. É bom para pensar.
A lareira está fria, não a esquentei.
Eu achava que um anjo apareceria para me ajudar.
Alguém me diria o que eu quisesse, me ensinaria o que eu não soubesse,
como uma fada a me guiar.
Hoje sei que os homens não são de ferro.
Ainda que seus corações sejam de pedra.
Não é só o garrote que solta o berro,
nem só a medusa que nos medra.
O vento assovia na janela.
O sino badala na capela.
A letargia esconde-se no clicar da tela.
É sábado a tarde. Não sei o que me dá, o que vem sorrateiro sem fazer alarde.
Tenho saudades das cores irreais que eu pintava meus jardins,
quando eu ainda não conhecia os fins
e meus dias não eram iguais.
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