domingo, 22 de março de 2026

O tempo

Como é bom pensar 
nas horas vagas e perdidas, 
que já antes passaram,
lembrar das doces tardes quentes ou frias 
que há muito com o tempo voaram.

Tempo é um mistério 
que não posso desvendar.
Como tudo assim passa (voa!) no galope de um tique taque rígido, sério,
como, como se pode explicar?

Vão se com ele as pessoas, 
as más e também as boas, 
nesse caminho para trás ficar.
Levados são os costumes, os medos, 
os amores, as saudades, 
nesse longo cavalgar.

Passa correndo 
com nossas coisas levando.
Vai rápido como uma pena 
que com o vento vai voando.

Os choros perdidos, 
os risos soltos,
os momentos de dor e prazer, 
somem nele envoltos,
sem que nada se possa fazer.

Mas o tempo é maravilha, 
pois em nós deixa a lembrança 
em que é doce meditar.
Em nós deixa o tempo 
a saudade do dia, 
da tarde, das alegrias 
que não se podem agarrar!

Basta a lembrança 
da tarde ligeira, 
do doce roubado que ficou.
Oh, isso, como é bom saber, isso o tempo não levou!

Não levou nem levará.
Esta recordação fica, nada a roubará.
Pois não rouba o tempo 
as nossas saudades, 
não as pode levar.
Já basta a ele arrebatar consigo os fatos, 
e deixar-nos as lembranças para nelas pensar...


Nenhum comentário:

Postar um comentário