Como é bom pensar
nas horas vagas e perdidas,
que já antes passaram,
lembrar das doces tardes quentes ou frias
que há muito com o tempo voaram.
Tempo é um mistério
que não posso desvendar.
Como tudo assim passa (voa!) no galope de um tique taque rígido, sério,
como, como se pode explicar?
Vão se com ele as pessoas,
as más e também as boas,
nesse caminho para trás ficar.
Levados são os costumes, os medos,
os amores, as saudades,
nesse longo cavalgar.
Passa correndo
com nossas coisas levando.
Vai rápido como uma pena
que com o vento vai voando.
Os choros perdidos,
os risos soltos,
os momentos de dor e prazer,
somem nele envoltos,
sem que nada se possa fazer.
Mas o tempo é maravilha,
pois em nós deixa a lembrança
em que é doce meditar.
Em nós deixa o tempo
a saudade do dia,
da tarde, das alegrias
que não se podem agarrar!
Basta a lembrança
da tarde ligeira,
do doce roubado que ficou.
Oh, isso, como é bom saber, isso o tempo não levou!
Não levou nem levará.
Esta recordação fica, nada a roubará.
Pois não rouba o tempo
as nossas saudades,
não as pode levar.
Já basta a ele arrebatar consigo os fatos,
e deixar-nos as lembranças para nelas pensar...
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