domingo, 1 de março de 2026

O canto do anu

Rei da caatinga que voa sobre o solo agreste, 
é o mensageiro da desgraça 
que a ninguém perdoa, 
do riso da peste.

Tem as penas escuras,
as patas secas, 
suas asas puras 
o levam de recifes a mecas.

A carniça ainda não fede e já podem ouvi-lo cantar.
É sinal de desdita, começam a falar.

Quem é que aviso lhe pede? O pássaro, tranquilo, não se importa.

Trêmulo caiu o mouro, ao escutá-lo. Estaria sua família morta? Ou iria falir?
Ave de mau agouro, o que viria a seguir?

Bendize ó carola, pois não voa livre o urubu...
É mal pior que os céus assola, 
escuta, é o canto do anu!

Nenhum comentário:

Postar um comentário