quarta-feira, 11 de março de 2026

De como um pau branco causou rebuliço em uma terra de pretos

Andava o mancebo ocioso, 
quando recebera um convite nada brioso.
Sem resistir se deixou levar, ah, se soubera o que havia de vir, o que estava para chegar!

Uma mulata ousada lhe enviou fotos suas
mostrando suas partes nuas.
Em seguida lhe rogou:
 "Manda-me as tuas!"

O jovem lhe retribuiu o despudorado favor, 
sem pensar duas vezes
fotos de seu membro lhe enviou.

Começava ali o terror 
fruto da lasciva imprudência.
Um angolano o rapaz contatou 
dizendo ter das imorais fotos ciência.
Lhe disse que a moça é "de menor", o que muito lhe assustou, lhe pesou a consciência.

Ele então se justificou:
"Eu não sabia de nada, nunca soube! 
Eu só lhe devolvi a gentileza 
pois por tamanha fineza,
gratidão me coube!"

O angolano não quis saber e lhe ameaçou,
disse-lhe: "O senhor é adulto, portar-se é o seu dever, neste mundo tão astuto."

E acrescentou: "A rapariga levou uma sova, 
pois sua mãe lhe flagrou 
vendo as fotos de alcova, 
ela está no hospital, a mãe na cadeia, 
grande é o mal que mercê causou, 
a coisa é feia."

"O senhor deve pagar uma indenização para resolvermos a situação." 
O moço ficou consternado, 
e decidido bloqueou o homem que queria 
extorquir seu dinheiro suado.

Aprendeu a nunca mais dividir o que vive em cuecas tão bem guardado.
Caiam raios, sequem açudes, jamais se deve enviar nudes!

Riu-se depois o inconsequente, e consigo pensou insolente:
"Não sei fazer fogueira esfregando gravetos, 
mas fogo em solo estrangeiro acendi,
ligeiro em apuros me meti,
que rebuliço causou um pau branco em terra de pretos!"

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