quarta-feira, 11 de março de 2026

Da bondade humana sem Deus

Limpa-te ó pecador 
da nódoa do teu pecado.
Embalde o fazes, 
não podes cessar o clamor da tua consciência,
por ela és acusado.

Teus tesouros, teus bens, 
quanta opulência!
Mas de que te serve?
Roubaste os mouros,
assim conseguiste tudo o que tens,
a ira de tuas vítimas ainda ferve.

Olhas para baixo, 
como se fosses de alguma superior.
Não, não o és!
Estás na mesma lama 
do mesmo riacho, 
que levando vai a todos
para além do Equador.

Tu te crias mais elevado
e por isso sentias 
que merecias ser louvado por teus iguais.
Agora sabes que és um pobre coitado,
acordaste de teu sonho lúcido, 
és tão estúpido quanto os demais.

Já não lutas pela justiça, 
te conformas com toda essa carniça.
Estás indolente, vives dormente e hoje, quem diria - não te assustas com a monotonia.

Sabe o quanto te custa 
sair da cotidiana inércia 
e bravamente lutar?
Certamente sim, o sabes,
e por isso não queres o preço pagar.

É sempre mais fácil 
ser apenas mais um.
Em meio a multidão, 
onde se vêem todos 
não se vê nenhum.

Tu segues teu coração!
E acaso tens um?
Esse bem que fazes (julgas fazer) o fazes a quem?
Só para ti e para ninguém.

Há conquistas sem vitória, triunfos sem glória,
honra sem mérito.
E para que saibas o que te sucede, e assim cuide, 
és um soldado sem pátria,
um herói sem virtude! 

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